segunda-feira, janeiro 30, 2006

TVI

"A TVI é um exemplo de recuperação a ser estudado no meio empresarial!" Foi com esta frase que José Eduardo Moniz classificou as boas condições financeiras da estação de televisão. Não temos quaisquer dúvidas que os investidores devem agradecer o facto, mas será a TVI um exemplo a seguir no que concerne a um serviço televisivo de qualidade? E porque motivo se debruçaria, por exemplo, um empresário da cortiça sobre o exemplo TVI para recuperar o seu negócio? Colocando garotas semi-nuas em cada sobreiro ou dando grátis aos seus clientes um fascículo de uma telenovela qualquer?
Importa reflectir se o fundamentalismo televisivo não compensa uma vez que Moniz nos faz um apelo aos nossos mais primários instintos; ao nosso instinto voyeur que nos leva a consumir horas ininterruptas de telenovelas e de programas onde se enjaula gente perfeitamente inútil. Ao nosso instinto agressivo condenando a priori pessoas que, por acaso e só por acaso, pertencem à estação rival.Ao nosso instinto seguidor, quando até os próprios comentadores são gentilmente convidados a ser suaves para com o poder num restaurante privado ou, descaradamente, em directo, como acontecia quando a dama-de-ferro Manuela Moura Guedes "rectificava" o que diziam os comentadores. O que se aprende numa estação como a TVI? Honra lhe seja feita, Sr Moniz; aprende-se a ser cusco e a atirarmos o ónus da responsabilidade e da reflexão para cima dos outros. Não há debates, não há diversidade televisiva. Sorte para o Sr. Moniz que coloca os beiços na herança cinzenta do salazarismo mas este poderia muito bem ser o prefácio do estudo que Moniz aconselha.!