quinta-feira, novembro 17, 2005

Des(educar)

O lamentável incidente amplamente noticiado onde um aluno da Escola de Alandroal foi violentamente agredido, em conjunto com outro incidente na mesma escola em que um professor foi socado por outro aluno, vem relançar o debate ao redor da Educação em vésperas de greve da classe. Cada vez mais a nossa escola é encarada como fiel depositária dos nossos filhos; dá um enorme jeito à sociedade que os filhos permaneçam mais tempo nas escola para que o pai tenha mais tempo para deglutir os petiscos bem regados com vinho ou cerveja e para que a mãe possa manter a linha no ginásio mais próximo. Isto tem um custo elevado; os nossos filhos conhecem-nos cada vez menos e reconhecem cada vez menos a nossa autoridade enquanto pais, mas o mais grave ainda é o facto de nós ficarmos gratos ao sistema escolar por nos livrar dos diabretes das crianças e da terrível fase da adolescência. É a pura demissão da função de educar no seio familiar.
Por outro lado, o Estado e a comunicação social têm desvalorizado o papel do professor na sociedade. Com as estapafúrdias medidas desta ministra, agudizou-se a desmotivação dos docentes nas escolas a tal ponto que muitas das aulas de substituição que foram decretadas por este governo são preenchidas com jogos de cartas ou pelo dolce far niente. Não há diálogo entre professores e alunos assim como não há diálogo no seio da família e por consequência, os jovens, não são educados para os valores do respeito, da autoridade e da liberdade individual.
Embora seja a favor do direito à greve, sugeriria que a jornada de luta de amanhã fosse substituída por um dia dedicado a estas problemáticas em vez de se protestar porque agora se tem de estar disponível para aulas de substituição em vez de se estar na caça ou na pesca...