quarta-feira, novembro 02, 2005

Chantagem emocional

As imagens que passaram ontem na televisão onde um director do INEM lança em plena rua um verdadeiro ataque de palavras contra os trabalhadores contrastam, de forma clara, com as imagens de há 30 anos onde senhores como este eram abespinhados e saneados pelos trabalhadores em frente, igualmente, às câmaras de TV. Nem uma nem outra situação são toleráveis, mas para este senhor o argumento é simples: "ou aceitam as nossas condições ou há mais gente no desemprego a precisar de trabalho porque no fundo vocês não querem é trabalhar". Trata-se do mais demagogo, anti-democrático e primitivo raciocínio que alguém pode proferir. E surge a coberto da recente política deste governo que desvalorizou abruptamente o valor negocial com os trabalhadores e lança sucessivamente anti-corpos para a sociedade para que esta se insurja contra as supostas regalias dos seus próprios funcionários. A quem se deseja aliar Sócrates? Àqueles que recebem um salário fictício complementado com outro encapotado para fugir aos impostos? Aos que declaram falência às suas empresas para as reconstruir noutras paragens? Aos empresários que declaram o salário mínimo? Aos médicos que nos amedrontam com o IVA para que nos privemos do respectivo recibo? Ou aos empresários que aindam compram blocos de notas para entregar a conta aos clientes.
Seja como for, para nós, este é o mais anti-democrático governo desde o 25 de Abril de 1974.