segunda-feira, outubro 03, 2005

Esta minha escola

Estando eu tranquilamente em frente da Escola Públia Hortensia de Castro a aguardar um familiar ouço o curioso diálogo:
- Então tiveram aulas de substituição?
- Não professora.
- Que sorte !!!
E agora adivinhem quem proferiu esta terceira afirmação. Não adivinham?Eu digo-vos pois fui eu quem teve a oportunidade de ter escutado. Da professora. Para esta profissional de ensino, que é paga para exercer a sua função docente e por inerência ter a preparação necessária para motivar os alunos, dar aulas deve ser uma maçada e aulas de substituição um azar do caraças. Por isso afirma sem contemplações que os alunos tiveram sorte em não ter as referidas aulas e felicita-os por isso. Mais tarde nas suas aulas fará, por certo, uma rifa a sortear uma saída de 10 minutos mais cedo, punirá a indisciplina com aulas de substituição extra e ameaçará ensinar de verdade se por acaso os alunos não se portarem com juízo.
Como poderemos condenar o desinteresse dos nossos filhos pela escola olhando a exemplos como este? Como poderão os alunos ser motivados por professores para quem ensinar é uma espécie de aula de substituição? A frustração de quem ingressou no ensino superior para ser engenheiro e, por falta de emprego, foi atirado para a escola conduz a situações como estas, o pior é que já nem há a capacidade de disfarçar.

1 Comments:

Blogger D. Nuno Álvares Pereira said...

Caro conterrâneo, antes de mais parabéns por esta entrada na blogosfera, nunca são demais as vozes que fazem que a vila seja escutada.

Quanto a este texto, permita-me discordar daquilo que diz da classe docente.
Obviamente, a professora em causa não devería ter comentado dessa forma o assunto em frente dos alunos, no entanto, isso não é razão para justificar a falta de interesse dos filhos pela escola.
Para esta causa eu apontaria em primeiro lugar, a continua e progressiva desresponsabilização de parte dos pais na educação dos filhos e depois a falta de exigência do sistema de ensino português.
É certo que professor que se quer e que se necessita nos dias de hoje é muito diferente da imagem de professor de há 20 anos.
É necessário um professor que quando acorda não se sinta infeliz a realizar o trabalho para que estudou (ou não) e que se sinta feliz no local onde lecciona, e que esteja rodeado de pessoas que ajudem e apoiem quando necessário (família e amigos) e que ao chegar à escola quando um aluno o mande para o c.... e o professor o leve ao Conselho Executivo (agora chama-se assim para fugir à piada habitual do Conselho Divertido!!) este tome outra atitude que não dar duas agendas escolares a professor e aluno e empurrá-los para fora dizendo que o assunto está resolvido!

Não acredito que exista região em Portugal onde faltem professores. Porque não colocá-los nos locais de preferência? Afinal, (e talvez aqui se explique parte do segredo do sucesso das empresas americans) "A happy worker, works better".

É normal que engenheiros, arquitectos e outros não estejam tão "vocacionados" para as aulas como milhares de pessoas que tentam ser professores durante cinco anos de estudo.

Está nas nossas mãos mudar e as sociedades só se mudam realmente a medio-longo prazo e através da mais forte arma de sempre: a Educação.

Abraços e mais uma vez, seja bem-vindo.

Visite o meu blog onde existem links para mais blogs calipolenses.

11:17 da manhã  

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