Este meu alentejo
Estamos de novo em http://libato.blogs.sapo.pt
Quando iniciei este blogue fi-lo na convicção que o mesmo despertaria uma onda de participação social activa, de partilha de ideias e de diversidade noticiosa. Pois bem, tenho para mim que todo e qualquer blogue deve assentar em factos e factos é coisa que não se passa em Vila Viçosa, tout court.
O simulacro de incêndio realizado numa das escolas do 1º ciclo foi um sucesso...à primeira vista, porque na véspera foi constatado que no caso de o incêndio se apresentar pela travessa do lado esquerdo da escola a tarefa seria bem mais complicada uma vez que os carros de Bombeiros não conseguiriam entrar nessa rua. Como é a brincar compreende-se a mudança de planos mas se fosse a sério?
Não foi só George Bush que mandou arrasar um país em busca de armas inexistentes; na nossa linda vila o novo supermercado toma a iniciativa de ligar esgotos perante a inépcia das autoridades locais e aguarda posteriormente pela decisão camarária perante tal acto. "Operação ilegal", dizem estes senhores depois de assistirem in locco ao processo. Se o objectivo é fazer desta lamentável incidência um jogo de vídeo que culmina no famigerado "Game Over", estes senhores estão de parabéns; o "nível 1" está atingido. Veremos o que está reservado para o "nível 2", provavelmente quando e até que outros gamers da concorrência entrem em cena. Nessa altura todas as estratégias serão reveladas, porque agora só por brincadeira de mau gosto se manda esburacar para depois vetar !
O novo supermercado Mini-Preço continua com as complexas ligações aos esgotos públicos das quais a Câmara lavou as mãos como Pilatos. O que é certo é que a incompetência de alguém deu um jeitaço aos senhores do Intermarché que venderam na época natalícia sem a anunciada concorrência vizinha. Agora que se aproxima a data de abertura do novo espaço há que dar tudo por tudo para não perder a posição comercial adquirida. Nada disto seria condenável se não fossem as empregadas a pagar esse esforço, trabalhando mais horas por dia e sem um único cêntimo a mais na folha de vencimento. Ai de quem ouse queixar-se porque todos os contratos são temporários. Perante coisas como estas, Marx deve dar voltas na sepultura !!!
O Presidente Bush resolveu decretar alguns cortes orçamentais nas áreas sociais e reforçar os custos relacionados com a defesa em nome do combate ao terrorismo. No Médio-Oriente e contra tudo o que se poderia esperar o Hamas ganha as eleições representando tal facto um clima de crispação contra o eterno inimigo Israel. Em ambos os casos não há qualquer ilegitimidade dos actos de loucura dos respectivos dirigentes; ambos foram eleitos pelo voto popular. E se, de um lado , se fala no fundamentalismo islâmico, que acredita veementemente na Jihad e consideraria bem monótona uma vida sem o stress da guerra e do arremesso intempestivo de pedras, de outro temos uma cultura ocidental, dita civilizada, que se rege pelos valores da educação cristã, e que proclama presidente um homem que sacrificou milhares de americanos em busca das armas que os infalíveis delfins da CIA lhe afiançavam existir no Iraque. Pena?Pena tenho eu dos meus entes queridos se por acaso sofrerem algum dano colateral.
Longe dos tempos em que o poder popular parecia querer impor-se no território nacional mediante a instrumentalização completa dos meios de produção, eis-nos regressados à nossa condição de liderados, subjugados e subvalorizados. O punho no ar e as palavras de ordem que eram entoadas fortemente junto dos tímpanos dos patrões deram lugar à moléstia do conformismo, à deliberada inaptidão para a criatividade e ao terrível fado da resignação perante a autoridade. Respondemos com os vulgares "encostos" quando o patrão se ausenta, distraímo-nos horas a fio com O MSN Messenger durante as horas de trabalho que é facilmente minimizado quando entra um qualquer utente ou o chefe do serviço, fazemos um manguito à política, marimbamo-nos para as eleições...em suma borrifamo-nos para tudo o que se passa fora das nossas quatro paredes. Os nossos dirigentes aceitam este brinde de mãos abertas; perante a cegueira popular não são de estranhar os casos Casa Pia, apitos dourados, encarnados, as luvas, o branqueamento, a corrupção...